Tarde preguiçosa, extamente como sempre quis sem regras, invertendo o tempo. As lembrnças me vêem em cascata e de tanto ouvir falar nas agruras dos bombeiros, do carro dos bombeiros .Lembrei-me de uma colega de trabalho, passamos uma temporada juntas , ela mais afoita se lançava nas empreitadas pessoais, o meu ascendente em touro tolheu a liberdade do leão que sempre ruge. Bem, neste período ocupavamos cargos executivos, éramos alternativas, queriamos cor em nossas roupas, leves e sem compromissos. O cargo pedia, o patrão reinvidicava, as ordens chegavam através de uma voz, não usem calça jeans quando forem despachar com o Snr. Patrão( não confundir com nenhum ritual religioso). Não usem blusas decotadas, não usem marrom ,o Snr. Patrão abomina ( nunca pude lhe perguntar o porquê dos porquês). Era preciso ter um figurino á altura do seu penoso bom gosto. Sobrava as cores sóbrias, os terninhos, variando a blusa por dentro, echarpe, colar de peróla delicado, meia fina e sapato alto e sebo nas canelas . Desfilar esta pseudo elegância equilibrando-se entre processos, linguas venenosas, amigas solidárias, cafezinhos e muita , muita ralação. Aprendi de tudo muito. Nós as cumplices de outro estilo cravava na nossa indumentária algo que nos remetesse a nossa tribo. Contrastando eu usava fitinha do Sr.do Bonfim, anel de côco, brincos comprados no hippe da Av. Rio Branco. Ela vinha cabelos encaracolados e cintos transados. Na hora da raiva , das mal ditas palavras, dos erros que todo patrão procura ela me dizia " um dia quando sair daqui venho de moto, com os cabelos voando, trago todos estes terninhos e toco fogo aqui na frente". Ria-me ela não aguentou e seguiu caminho e eu fique na labuta. Amiga minha, não pense em incendiar mais nada em canto nenhum. Eu já provoquei os meus, os amores em carta eu queimei num circulo de fogo, alguns papéis e revistas suspeitas dos anos setenta também graças que não houve propagação. E seu plano não foi executado, fôra hoje o prédio aonde trabalhavamos iria pelo os ares, e o bombeiros como estariam melhor nem pensar ...
ai , que preguiça !
(ou o melô das primeiras horas de uma aposentada )
segunda-feira, 8 de abril de 2013
segunda-feira, 1 de abril de 2013
O tempo perguntou ao tempo quanto tempo ele têm...
O tempo para quem tem tempo é um escolha complicada, quando não se tem sempre há uma lista de prioridades nunca resolvidas, é fato que quem trabalha e é mãe/dona de casa/marido de aluguel de si mesma, e cumpre jornada de trabalho oito horas é pouco tempo para si, no salão ( escolhe entre fazer cabelo ou unhas), médico ( fim ou começo do dia), compras elétricas ,no supermercado uma hora e meia no máxima, reunir as amigas se der tudo certo rola poucas vezes no mes . A vida é sorvida em intervalos. Ir ao shopping, estacionar, escolher o que vai aonde vai , e depois compar é uma maratona. Sempre o tempo está roubando algo. Agora que o tempo está a meu favor bateu um branco mental por onde começar a usar este bendito. . Dormir á tarde é rejuvenecedor, depois café pausado em casa mesmo, de filtro, marca boa, zapear pelos canais que a tv a cabo oferece e então quando encontrar o que desejar é um deleite. Tem canal para todo gosto, e quando me sento numa poltrona confortável só me lembro de um filme de ficção que o enredo versava sobre mortes escolhidas em salas com grandes telas e belas imagens em belas poltronas. O sofrimento da dor, do fim inexistia se escolhia o queria assistir e um gás lentamente cumpria esse papel. Mórbido talvez, mas até isso eu me lembro porque tenho tempo para remexer caixas, caixotes, ativar as memórias . Quando não se tem mais a obrigação de estabelecer os mesmos dialógos profissionais , receber os mesmos e-mails contando as novas velhas histórias não necessita-de de relógio para fracionar o tempo. Aqui tem inúmeros relógios acidentais até o antiguíssimo relógio de braço de modelos variados. Bem, estou começando a usar meu tempo esquecendo as horas, comedidamente é verdade porque após o automatismo de tantos anos, descompactar é necessário. Mas de uma coisa tenho certeza, o tempo é meu e de mais ninguém. É o meu começo ... enquanto isso acho que vou aprender andar de bicicleta , e depois quem sabe ...
segunda-feira, 25 de março de 2013
Meu Tio Vicente !
Sôbre os aposentados, só me vem a cabeça os velhotes que ficavam nas adjacências da Av. Rio Branco quando era uma menina . Vestiam calça até a cintura,camisa de botão e sapato social, era a convenção da época. Meu pai tinha uma calça caqui grossa que só trocava para minha mãe lavar . Meu Tio Vicente não, era aposentado chic, de terno sem gravata, muitas vezes de branco, cinza, vestia-se assim por ter sido professor , farmaceutico e adquiriu o hábito. Sempre que saia de casa para os cafés vestia-se á rigor como se fosse para o trabalho e todos os dias invariavelmente pela manhã dava esse passeio para o centro da cidade, hábito de aposentado. Com o tempo envelheceu mais e ficava de pijama em casa. Ai já estava esperando o seu dia e nessa confusão mental ele pedia a minha tia Raimunda o livro de ponto para assinar, registrar que estava trabalhando .Angustiava-se na sua viajem . Eu guardei durante muito tempo esta imagem dos aposentados. Passada as primeiras horas de aposentada, eu só me lembro de curtir a minha preguiça, deletar o lixo do mundo do trabalho, esquecer as loucas almas que convivi e só guardar o que de bom valeu nestes trinta e cinco anos, se não penosos, pelo menos pedregosos. Enfim vou gritar como Macunaíma "ai, que preguiça" viver o ócio, não fazer nada.olhar o tempo e não ter medo da liberdade .
domingo, 24 de março de 2013
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