Sôbre os aposentados, só me vem a cabeça os velhotes que ficavam nas adjacências da Av. Rio Branco quando era uma menina . Vestiam calça até a cintura,camisa de botão e sapato social, era a convenção da época. Meu pai tinha uma calça caqui grossa que só trocava para minha mãe lavar . Meu Tio Vicente não, era aposentado chic, de terno sem gravata, muitas vezes de branco, cinza, vestia-se assim por ter sido professor , farmaceutico e adquiriu o hábito. Sempre que saia de casa para os cafés vestia-se á rigor como se fosse para o trabalho e todos os dias invariavelmente pela manhã dava esse passeio para o centro da cidade, hábito de aposentado. Com o tempo envelheceu mais e ficava de pijama em casa. Ai já estava esperando o seu dia e nessa confusão mental ele pedia a minha tia Raimunda o livro de ponto para assinar, registrar que estava trabalhando .Angustiava-se na sua viajem . Eu guardei durante muito tempo esta imagem dos aposentados. Passada as primeiras horas de aposentada, eu só me lembro de curtir a minha preguiça, deletar o lixo do mundo do trabalho, esquecer as loucas almas que convivi e só guardar o que de bom valeu nestes trinta e cinco anos, se não penosos, pelo menos pedregosos. Enfim vou gritar como Macunaíma "ai, que preguiça" viver o ócio, não fazer nada.olhar o tempo e não ter medo da liberdade .
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